PCR de Alta Sensibilidade

PCR de Alta Sensibilidade

A PCR (Riactiva) faz parte de um complexo conjunto de proteínas que o nosso organismo produz quando enfrenta uma infecção ou traumatismo. É uma componente importante do sistema imunitário que participa na fase aguda da resposta inflamatória, sendo um indicador precoce e altamente sensível de inflamação aguda. Os níveis séricos elevam-se de 4 a 6 horas após a agressão inicial, atingem o valor mais alto entre 24 e 48 horas e começam a diminuir com a resolução da situação desencadeante.

                A PCR e a PCR de alta sensibilidade (PCR-as) são a mesma proteína. A designação de alta sensibilidade apenas atinge a técnica laboratorial utilizada para o seu doseamento.

                A determinação da PCR começou por ser qualitativa (positiva/negativa). Mais tarde, passou a ser possível a determinação quantitativa, mas a técnica utilizada não permitia dosear níveis séricos da PCR abaixo de 3 mg/L (0.3 mg/dl nas unidades antigas). Porque se tornou evidente que os níveis circulantes muito baixos de PCR podiam refletir a presença de doença aterosclerótica subclínica e relacionar-se técnicas de alta sensibilidade que vierem a tornar possível o seu doseamento. Como a técnica laboratorial utilizada é de alta sensibilidade, convencionou-se designar de PCR de alta sensibilidade (PCR-as) e PCR assim determinada.

                Os resultados de um vasto número de estudos de ciência básica, epidemiológicos e clínicos sustentam a existência de uma relação entre PCR, aterosclerose e o risco aumentado de eventos cardiovasculares. A PCR-as abre-nos uma janela para a compreensão da componente inflamatória (microinflamatória) de aterosclerose. Na verdade, a aterosclerose é uma doença crônica, dinâmica e progressiva que resulta da interação entre microinflamação e disfunção endotelial (1,2). A PCR é uma proteína de fase aguda sintetizada pelo fígado sob o efeito de citoquinas inflamatórias (4) mas que também é produzida localmente, nos vasos doentes, pelas células musculares lisas e macrófagos (3,6).

                Admite-se que, através das técnicas de alta sensibilidade, estejamos a dosear a fração da PCR produzida nas placas de ateroma que entra em circulação. Daí que os níveis circulantes sejam extremamente baixos. Não está bem estabelecida a existência de uma relação de causalidade entre PCR e a indicação e progressão da aterosclerose (7-10). A relação poderá não ser de causalidade direta. Neste caso, a PCR é produzida secundariamente na placa, mas não é o determinante primário da ocorrência da doença. A placa auto alimenta-se mercê da produção local de PCR (5-6) que participa em muitas das grandes etapas da progressão da doença (11-15).

                A American Heart Association incluiu nas suas recomendações o doseamento da PCR-as para o cálculo do risco cardiovascular em prevenção primária em indivíduos com um “score” de Risco de Framingham entre 10 e 20% que tenham uma PCR-as < 1mg/L serão considerados de baixo risco, com PCR-as entre 1-3mg/L de risco intermediário e com PCR-as > 3mg/L de alto risco intermediário e com PCR-as > 3mg/L de alto risco para doença cardiovascular.

                A PCR será utilizada para o cálculo do risco cardiovascular se em duas determinações da PCR-as, intervaladas de um mês, os valores se mantiveram na mesma categoria, isto é, <1mg/L, entre 1 e 3 mg/L e entre 3 e 10, Valores > 10mg/L não poderão ser usados para o cálculo do risco e outro processo inflamatório terá que ser excluído.

                A PCR elevada pode estar associada a outras condições como a obesidade, inflamação crônica, síndroma metabólico, diabetes tipo 2, síndroma de apneia obstrutiva do sono e hipertensão (22-23).

                A perda ponderal em obesos acompanha-se de redução dos valores da PCR-as mas também é possível reduzi-la com alguns fármacos, como as Estatinas, as Glitazonas, a Aspirina, os IECA e os BRA. 

Dr. Mauricio de Souza Rocha Jr. é especialista em cardiologia
(SBC-AMB)-Medcor-Nova Iguaçu rj 

Artigo publicado na revista da Associação Médica de Nova Iguaçu